quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Occam's beard (As barbas de Occam)


A Navalha de Occam, também chamada de Lei da Parcimónia, é um dos conceitos científicos mais úteis para qualquer cientista a desbravar novo território.

Foi formulada a partir de uma citação de William Occam:

""Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor"

Ou seja, perante duas teorias igualmente possíveis, a teoria que assenta em menos pressupostos é geralmente a mais correcta. Por exemplo, pegando no dado "médicos que não lavam as mãos ficam doentes mais vezes" podemos formular várias teorias. Uma delas é que os médicos apanham as doenças dos seus pacientes, a outra é que existe um miasma no ar dos hospitais, que se pega especificamente às mãos e enfraquece o sistema imunitário e que o metal dos estetoscópios é o meio ideal para proliferação de bactérias que aproveitam este acaso. Adivinhem qual a mais provável?

A pergunta que surgiu então foi: E se occam nunca tivesse uma lâmina?

E foi assim que nasceu o Simpósio das barbas de Occam (Symposium of Occam’s Beard ) onde se pretende celebrar a imaginação, desafiando-se os participantes a criar a teria mais louca e coerente que conseguirem baseados em dados reais.

A teoria é depois apresentada a um júri e espera-se que os cientistas a defendam teimosamente ao ponto de levar William Occam corar.


Para mais informações consultar o site.

É óptimo ver um evento refrescante em que a ciência se permite a ser levada por caminhos menos sérios por um bocadinho. Um óptimo evento para os adeptos das teorias da conspiração.

Este festival surgiu inspirado nesta tira humorística:


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Fazer amizade com o falhanço


Esta BD já circulou a internet, mas mesmo assim acho que merece mais uma menção sob a forma de um extracto. Curioso como isto saltou à memória numa conversa com o Rui Ramos acerca de livros.


 Tiras completas aqui



sábado, 30 de novembro de 2013

Passatempo Lusitânia número 2


O vencedor do passatempo já foi apurado e informado por e-mail.


Para todos os outros: muito obrigado por terem participado e espero que da próxima possam ser vocês os sortudos.

Se quiserem conhecer mais este projecto e comprar um exemplar, visitem: http://revistalusitania.blogs.sapo.pt

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Entrevista a Filipe Faria

Filipe Faria, um nome que a uns traz boas recordações, a outros ranger de dentes. Catapultou-se para a cena literária nacional ao ganhar o prémio Branquinho da Fonseca que trouxe a publicação da Manopla de Karasthan, o primeiro de um épico de 7 livros de High Fantasy passado nas terras de Allaryia. 

Agora com 31 anos, o escritor soma também um livro para crianças (Leopoldina e a Ordem das Asas), um conto (O Barão foi para o Boneco), volumes de uma nova série de fantasia Felizes Viveram Uma Vez) e uma recomendação do Plano Nacional de Leitura para as Crónicas de Allaryia. 

Já prometeu regressar ao universo de Allaryia e confessa-se num fim de ciclo, em que um novo paradigma de escrita está a ameaçar surgir. 




Queria começar por agradecer ao Filipe Faria, pois foi através da tua obra que surgiu o Fórum Allaryia, uma comunidade que deu bastantes frutos e que ainda hoje se encontra interligada, ainda que de outras maneiras. Alguma vez imaginaste que o que escreveste poderia mudar o mundo? Alguma vez pensas nisso quando crias as tuas histórias? 


Queria também eu começar por agradecer-te, e através de ti aos antigos membros dessa comunidade com os quais mantenhas contacto. O Fórum Allaryia foi para mim algo de muito especial e do qual guardo boas memórias, e não o digo (apenas) pelo motivo egocêntrico de quem viu uma comunidade ser criada à volta da sua obra. 
Em resposta à tua pergunta, nunca imaginei que poderia «mudar o mundo», nem crio histórias com semelhante ambição. Quando muito, enquanto jovem adulto com sangue nas guelras ambicionava mudar mentalidades, legitimar a fantasia enquanto género literário, talvez desmistificar por via indirecta uma série de preconceitos relativos à Idade Média (um objectivo pouco idóneo a uma série de fantasia, reconheço). O meu único impulso é mesmo o de contar histórias, pois o verdadeiro gozo vem do conceber mundos e enredos; a escrita é, de certa forma, uma etapa prazerosa para o derradeiro objectivo que é o de partilhar o produto final. 



Sentes alguma pressão ao escrever que comparem as tuas histórias a nível de qualidade a obras reconhecidas como boas com as quais as tuas partilhem alguns elementos? Por exemplo, entre a série “Dragonlance” e “Crónicas de Allaryia”, “Fables” e “Felizes viveram uma vez”? 


Isso para mim sempre foi um não-problema. Primeiro, porque qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe que as Crónicas de Allaryia e Dragonlance ou Felizes Viveram Uma Vez e Fables têm tanto em comum quanto A Marca de Zorro e Scaramouche — que é como quem diz, sim, existem pontos de contacto, mas são livros, enredos, elencos e mundos completamente distintos. Segundo, porque não me importo minimamente de pegar em lugares-comuns ou de percorrer caminhos já trilhados, desde que sinta que com eles possa contar a minha história com a sua própria identidade. Enquanto jovem escritor, a minha ambição nunca foi reinventar a roda, mas sim montá-la e curtir à brava, literariamente falando. Actualmente, enquanto escritor que já foi mais jovem, não posso dizer que essa postura tenha mudado muito; talvez evite uma determinada abordagem ou adapte uma ideia se achar que ela já está demasiado batida, mas os meus impulsos criativos não partem de uma necessidade de mostrar o quão original posso ser. 



Uma das questões que já discutiste foi o facto das ilustrações do Perraultimato terem, de certo modo, afastado algum público que pensou que o livro era para crianças. Consideras que existe ainda um grande estereótipo em relação a livros ilustrados? 


Não saberia dizer. O que é certo é que livros com ilustrações costumam de facto ser para crianças. No caso do Perraultumato, eu quis recapturar o espírito das antologias de contos de fadas que vinham com litografias e citações do texto, mas o tiro saiu-me evidentemente pela culatra nessa. 



Lembro-me de a minha mãe me oferecer o segundo livro das crónicas de Allaryia, “Os Filhos do Flagelo” em vez do primeiro,“A Manopla de Karasthan” por não conseguir dizer o nome do livro à vendedora. Numa entrada do blogue falas da impronunciabilidade de “Aewyre” por parte dos fãs. Actualmente lanças livros chamados “Perraultimato” e “Andersenal”. Nunca tiveste medo que palavras complicadas afastassem os leitores, ou achas uma mais-valia? Que equacionas quando crias palavras? 


Talvez até devesse ter (tido) medo, mas por teimosia ou inconsciência sempre dei largas à riqueza fonética que sempre achei que mundos de fantasia deviam conter. E eu gosto de jogos de palavras, de antístrofes, de aglutinações, de fusões fonéticas que vão para além da sonoridade românica. Dá-me um gozo tremendo e sentir-me-ia imensamente restringido se tivesse sido forçado a escrever As Crónicas da Pampilhosa: A Manopla de Oliveira de Frades por receio que os leitores viessem a ser afugentados pelos nomes. 

Sim, estou a ser faceto e hiperbólico, e sei que a nomenclatura não tem de ser oito ou oitenta. Acontece apenas que eu dou muita atenção aos nomes (isto vindo do homem cujo primeiro livro teve pérolas como «darcsuords» na sua primeira edição, note-se) e sinto que eles se tornaram de certa forma parte da minha identidade enquanto autor. 



No 10º aniversário da Manopla de Karasthan falou-se em lançar uma versão revista do livro. Olhando para trás, o que mudarias nas Crónicas de Allaryia? E na tua carreira de autor? 


Bom, no caso de Allaryia, algumas coisas, tal como tive ocasião de explicar e fazer na versão revista d'A Manopla (por enquanto apenas disponível em ebook). No caso da minha carreira de autor, talvez tivesse feito uma pausa após o Oblívio em vez de partir logo para outra. Não tento passar por cima dos meus erros e tenho de facto arrependimentos, mas não vivo obcecado com eles e faço os possíveis por aprender com aquilo que fiz de mal. O desenvolvimento pessoal de cada um passa muito por aí, e o mesmo se aplica à obra de um autor, digo eu. 



O último livro das Crónicas de Allaryia foi lançado com pompa e circunstância, tendo direito a um CD, capa dura e um livro companheiro, algo que eu nunca antes vi noutra obra portuguesa. Consideras-te um autor com algo único em relação a todos os outros? 


Tenho-me em muito boa conta, mas não me considero o equivalente literário do Cristiano Ronaldo. Sei que tenho bastantes ideias, escrevo bem, possuo uma voz característica, tenho a disciplina para levar a cabo os meus projectos e, felizmente, há pessoas que gostam de ler aquilo que escrevo. Mas o mesmo pode ser dito de muitos outros autores só no nosso país, e julgo que todos temos algo «único em relação a todos os outros». 

(Só que, tanto quanto sei, mais ninguém teve direito a banda sonora original com orquestra de catorze peças. Embrulhem.) 



Adivinho que não, mas já te converteste à leitura de ebooks? Qual a tua relação com este novo mercado? 


Adivinhas bem. Para já, formato digital para mim só serve para a banda desenhada. Não digo que dessa água nunca beberei, mas a verdade é que, no meu caso, a ausência de uma relação com esse novo mercado se deve mais à minha info-exclusão que a princípios morais. 



Em relação a projectos para o futuro, que podes contar sobre eles? 


Existem, mas não tenho grandes revelações a partilhar sobre eles neste momento. Duvido de que tão cedo consiga reproduzir o sucesso das Crónicas, e os tempos não estão para brincadeiras, por isso no futuro próximo vou dedicar-me sobretudo ao trabalho honesto (tradução, neste caso). Continuo e continuarei a escrever, bem entendido, porque é essa a minha verdadeira paixão, porque ainda tenho muitas histórias para contar (em Allaryia e não só) e porque a minha ambição será sempre poder viver exclusivamente da escrita por mais do que um par de anos. Quem tiver interesse em manter-se a par das minhas andanças pode sempre ir a www.filipe-faria.com (nada de Facebook; info-excluído, lembram-se?) e subscrever às actualizações, ou então dar-me uma apitadela em filipefaria@allaryia.com.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Multinova Livreiros

Existe uma livraria para os lados de Alvalade com um modelo de negócio muito pouco usual. Não só se pode comprar livros, como se pode alugá-los!



A Multiova Livreiros abriu em 1970 como lugar de venda e edição de livros, mas só em 2011, aproveitando a renovação de imagem da empresa, é que se decidiu aventurar neste formato.



Existem essencialmente duas opções de aluguer, após o pagamento da jóia de 10€:

Opção I – Esta opção permite ao leitor alugar até (4) quatro livros por mês, mediante o pagamento de um valor mensal de €18,00. O prazo de devolução dos livros é 1 ano (doze meses), desde que a mensalidade seja mantida em dia.

Opção II – O leitor aluga um livro durante 3 semanas, sendo o pagamento efectuado no acto da entrega do mesmo. Não há mensalidade. O aluguer dos livros varia de 3,5€ a 4,5€.


 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Passatempo - Oferta da Lusitânia nº 2

A Lusitânia é uma publicação de contos de literatura especulativa (fantástico, ficção científica, terror, “new weird”, etc) cujo o único ponto em comum é usarem como matéria-prima a cultura portuguesa.

É com prazer com abro um novo passatempo aqui no blog para sortear uma Lusitânia nº 2, de cuja a equipa de edição faço parte. 

Nela podemos encontrar os contos:

A sereia de Cacilhas - Carolina Vargas
A carta - Pedro Cipriano
A fonte dos Grifos - Inês Montenegro
O indicador de Deus - Margarida Mendes
O teu semblante pálido - João Franco
O coração é um predador solitário - João Barreiros


Para isso, basta preencher o formulário abaixo e fazer like no perfil do Abracadabra. O passatempo começa hoje e os resultados serão divulgados dia 30 de Novembro. O vencedor será escolhido aleatoriamente.



Só serão enviados livros para endereços nacionais.

Boa sorte!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Master Piece

O canal televisivo italiano Rai 3 vai estrear um programa de nome Masterpiece. Em vez de cozinheiros, dançarinos, cantores, os concorrentes serão escritores.



O júri terá de escolher os melhores para lutar por uma publicação de um livro na Simon & Schuster. Tudo será feito com muito drama, como se espera, e até vai haver direito a "confessionário" como no Big Brother onde os escritores porão a nu as suas frustrações.

O conceito envolverá 4 escritores, defronte a um júri de 3,  a escrever em tempo real, com um cronómetro opressivo, as palavras a serem projectadas num ecrã gigante e um enxame de câmaras a capturar close-ups das caras concentradas dos concorrentes.

Haverá também leituras de textos, pitch do romance a convidades famosos, experiências relacionadas com o escrito (se é sobre casamentos, o concorrente vai a um casamento), etc...

Em menos de um mês 5000 candidatos já se voluntariaram para serem avaliados.

Os produtores do programa defendem-se das críticas ao formato dizendo que este aproximará a literatura das pessoas e que é uma óptima oportunidade de tentar uma nova estratégia de promoção de livros. O livro está a morrer, dizem, e é preciso fazer tudo para o salvar. Outros, como por exemplo o escritor Alessandro Baricco, dizem que "Masterpiece poderá dar às pessoas uma ideia de literatura. Mas não é a ideia que a maior parte das pessoas que a realmente faz partilha."

Este programa vai ao encontro de uma tendência em que o escritor, para além de escrever bem (ou até mais importante que escrever bem), tem de se vender, tem de criar uma cara que o público goste e gastar inúmeras horas de escrita em promoção. Para além do que, tenho sérias dúvidas que os concorrentes seleccionados sejam os melhores escritores que irão concorrer, mas sim os melhores entreténs. 



Ainda para mais, é uma subversão do mercado considerar-se como um prémio "ser publicado". O dia-a-dia de uma editora deveria ser detectar bons escritores vendáveis e publicá-los. É o negócio deste tipo de empresas. Acaba por passar a mensagem errónea que só através destes canais é que se consegue chegar aos editores.