Recebi há um dia um e-mail da Editora Estronho que gostaria de partilhar.
É um pouco longo, mas vale a pena ser lido.
"Na última semana tivemos uma péssima notícia para quem realmente gosta e batalha pela publicação de literatura fantástica de qualidade no Brasil (e também em Portugal, por que não dizer?). A Tarja Editorial, uma das melhores editoras do gênero, no que se refere a qualidade literária, anunciou o encerramento de suas atividades.
Os motivos que levaram a essa decisão, são muito bem compreendidos por nós da Editora Estronho. Além da falta de apoio das grandes livrarias, que só dão destaque a livros de editoras que estejam dispostas a pagar algo entre 3 e 15 mil reais para terem seus livros em posições estratégicas dentro de cada loja, temos o grande e velho problema do preconceito com novos escritores. E parte desse preconceito é até justificável...
Explico... Nos últimos dois anos (talvez mais), surgiram "editoras" de todos os tipos. Algumas explicitamente comerciais, que "selecionam" textos sem o menor cuidado com a qualidade literária, visando apenas cumprir a cota de que precisam para custear a publicação das antologias (no caso em que os autores precisam pagar para publicar ou são obrigado a comprar um determinado número de exemplares para participarem da "seleção"). Outras editoras, embora não cobrem nada dos autores e nem peçam para comprar exemplares, vivem na doce ilusão de que o mundo é belo e precisamos ajudar a todos, sem olhar a quem. Ok, isso não seria problema algum se não estivéssemos falando de LITERATURA DE QUALIDADE. Conheço editores que publicam por amizade, por querer ajudar o autor, ou simplesmente porque o autor tem muitos amigos e pode vender bastante, garantindo assim que seus custos sejam pagos num curto prazo e seu catálogo vá aumentando, fazendo conta de quantidade no lugar da qualidade.
Engana-se quem acha que editores assim estão ajudando. Não é porque a familia do autor gostou do texto, que sua carreira está garantinda. Ajuda aquele editor que cobra, corrige e muitas vezes nega a publicação, pois quer que o autor melhore realmente a sua escrita. Mas enfim, isso é um outro papo...
Outro ponto que dificulta a venda de antologias, especialmente com autores novatos, é que muitos deles (não estou direcionando isso a todos, por favor, pois existem exceções) acham que porque foram publicados uma vez, ou duas, três que seja... viraram astros da literatura. Não precisam mais divulgar, correr atrás, ajudar a editora a vender. Temos casos em que os autores sequer pediram seus exemplares de direito. Casos em que o autor deixou de participar do lançamento da antologia a que fazia parte, porque preferiu ir ao lançamento de uma editora mais famosa. Outros não comparecem aos eventos, não divulgam a sua participação ou simplesmente, quando conseguem vaga em outra editora melhor, deixam de lado o trabalho feito na primeira, porque ela é "pequena, insignificante".
Não estamos dizendo que a médias e grandes editoras não fazem um bom trabalho. Não é isso, antes que alguém diga que somos contra o autor passar para editoras maiores ou com melhor apoio financeiro. Claro que não! Mas também não precisam ignorar seu passado literário, porque agora estão em outras condições mais favoráveis. Aliás, tem gente boa (editoras médias) fazendo um excelente trabalho, com um bom suporte financeiro e torcemos muito por elas, desde que mantenham a qualidade e honestidade com o autor.
Sim, o texto está ficando longo, mas é preciso...
Continuando, o que aconteceu com a Tarja pode acontecer com qualquer editora pequena e média que tenha esse perfil, como é o nosso caso. Obviamente a culpa não é só dos autores que não ajudam na divulgação e não se empenham. São vários fatores, mas os dois mais importantes são as livrarias mercenárias, o descaso de parte dos autores e a pouca procura por antologias.
E justamente para que possamos TENTAR seguir mais adiante com a Editora, e recuperar o fôlego para retornamos aos projetos com novos autores, é que estamos, infelizmente, cancelando alguns projetos e dando novos rumos a outros."
É com muita pena que vejo o projecto acabar. De lembrar que foi com a Tarja que o Fantasporto se uniu para o duplo lançamento da Antologia de Ficção Científica Fantasporto organizada por Rogério Ribeiro e foi também na Tarja que me estreei no mercado brasileiro com a antologia A Fantástica Literatura Queer - Volume Amarelo.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
domingo, 3 de novembro de 2013
Fórum Fantástico 2013 - Programa
Foi hoje a apresentação oficial na FNAC Chiado do programa do Fórum Fantástico 2013 e posso já dizer que promete bastante. É bom de ver que as vertentes do Fantástico abordadas aumentaram em quantidade (existem agora demonstrações de jogos, exposições de fotografia, etc..), que me esteja a lembrar, só falta mesmo música. Existem bandas de cariz Fantástico para convidar? Se sim, acusem-se.
Outra coisa que gostaria de destacar no programa é o lançamento do segundo número da Lusitânia, uma zine criada por mim e uma equipa de destemidos voluntários. Esta edição pretende incentivar a produção de histórias que tenham como ponto em comum, a cultura portuguesa. Anotar na agenda o dia 16, às 14h15.
Também de destaque, a presença do autor Ian Mcdonald, cujo o único livro traduzido para português é o Brasil. O livro é muito interessante. Desenrola-se em três linhas temporais: no passado, no tempo das incursões jesuítas pela Amazónia; no presente, onde seguimos uma produtora de reality shows e no futuro, nas favelas de um Brasil ultra-tecnológico. Neste momento o livro está à venda a 3€ na FNAC, por isso é de aproveitar.

Outra coisa que gostaria de destacar no programa é o lançamento do segundo número da Lusitânia, uma zine criada por mim e uma equipa de destemidos voluntários. Esta edição pretende incentivar a produção de histórias que tenham como ponto em comum, a cultura portuguesa. Anotar na agenda o dia 16, às 14h15.
Também de destaque, a presença do autor Ian Mcdonald, cujo o único livro traduzido para português é o Brasil. O livro é muito interessante. Desenrola-se em três linhas temporais: no passado, no tempo das incursões jesuítas pela Amazónia; no presente, onde seguimos uma produtora de reality shows e no futuro, nas favelas de um Brasil ultra-tecnológico. Neste momento o livro está à venda a 3€ na FNAC, por isso é de aproveitar.

E muito, muito mais. Conversas de horror, winepunk, steampunk, apresentação de prémios para a literatura fantástica, jogos de computador, história da FC, Bang! Brasil, curtas metragens, ilustração, etc.
Apareçam.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
LER Novembro de 2013
Na próxima sexta, dia 1 de Novembro, irá sair mais um número da revista LER.
Porém, este não será apenas "mais um". Porquê? Primeiro vai ter um textinho meu na secção 15_25 (nem uma pinga de fantasia, nem um traço de FC, apenas um cheirinho de contemporaneidade). Em segundo lugar, vai ser o meu último texto nesta secção. Não, não é por minha vontade. A secção 15_25, que todos os meses publicava um conjunto de mini textos (e fotos, de vez em quando) de autores entre os 15 e os 25 anos chega à sua última edição.
Não sei qual é a razão, mas é com pena que vejo esta excelente iniciativa acabar. Porque era excelente? Porque podíamos enviar os textos, que recebíamos resposta, muitas vezes com reparos e a dizer o porquê de não ter sido aceite. Devido à periodicidade, permitia que fôssemos tentando, melhorando a cada tentativa, disciplinando a musa. Porque era um orgulho ver algo escrito por nós ao pé de outros bons autores, tanto os consagrados, como os colegas da mesma secção (e também havia, no meu caso, um comparar os meus textos com os destes últimos). Porque me levou a ler a LER, fora alguns números quando estive fora de Portugal, que tem bastante qualidade.
Fiquei com pena que não tivesse aparecido mais gente nos eventos gerados em torno da secção e, nesses mesmos eventos, não tenha surgido muito ambiente para a criação de uma rede de participantes. Talvez outro modelo, ainda mais informal.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Oyster Books
A Smashwords, a plataforma de ebooks independentes onde tenho a maior parte das minhas histórias auto-publicadas, fez uma nova pareceria com um distribuidor, desta vez a Oyster.
Mas que tem a Oyster de tão especial que valha a pena um post apenas sobre ela?
Vai ao encontro ao que defendo há muito como um bom modelo de negócio para ebooks. Os clientes por cerca de 7€ por mês têm acesso a todo o catálogo de livros da Oyster (onde a partir de aqui a alguns dias, incluirá o catálogo da Smashwords). No entanto, nem tudo são rosas. É preciso uma aplicação para ler os livros, que não permitirá o download ou empréstimo e que controlará quanto é lido de cada livro. Ou seja, caso o leitor deixe de pagar, deixa de ter acesso aos livros, tal como um espectador de um canal de TV de filmes não fica com os filmes que já viu. Fora isso pode ler todos os livros que conseguir, provar um bocadinho de tudo e escolher um, não ler nada, entre outras combinações, como num buffet literário.
A aplicação irá também concentrar informações dos gostos do leitor e gostos de amigos do leitor, assim como recomendações da equipa Oyster, de modo a recomendar as obras que terão a maior chance de serem apreciadas pelo leitor. Se por um lado é uma funcionalidade útil, por outro trava o crescimento pessoal que se alcança por tentar algo fora da nossa zona de conforto ou rede de conhecimentos.
Os autores, pelo menos no smashwords, serão recompensados com 60% do valor de venda do livro caso os leitores leiam mais de 10% do mesmo, daí a aplicação controlar isso.
Infelizmente, esta aplicação ainda só está desenvolvida para a família de produtos da Apple (quem tiver um dispositivo pode tentar um mês de utilização gratuita).
De qualquer maneira, aproveitem para ler alguns dos livros que disponibilizo no site da Smashwords (quase todos gratuitos), basta carregar nas capas abaixo.
Quando o balão de Filipe é atacado por piratas, longe está ele de adivinhar que irá ser salvo pelos tripulantes de Dandeleão,uma enorme cidade voadora capitaneada por Dom Miguel Faria. Deslumbrando pela maravilha de engenharia, Filipe vai mergulhando no dia a dia da nave sem suspeitar do seu tenebroso segredo.
Infelizmente, esta aplicação ainda só está desenvolvida para a família de produtos da Apple (quem tiver um dispositivo pode tentar um mês de utilização gratuita).
De qualquer maneira, aproveitem para ler alguns dos livros que disponibilizo no site da Smashwords (quase todos gratuitos), basta carregar nas capas abaixo.
Alien: Engineers vs Prometheus
No início, o Ridley Scott queria fazer um filme e pediu ao Jon Spaihts para lhe escrever um guião de uma história que fosse uma prequela a toda a saga Alien.
Enquanto está numa cena romântica com a Shawn.
4 - Os Engenheiros usaram aquela lua como posto avançado para lançar um ataque biológico à terra com xenomorphs. Ao longo do guião vemos apareceram várias "versões" menos optimizadas de xenomorph com que as personagens têm de se debater. Existem chestbursters gelatinosos, como o que sai do peito do Holloway, com esquelento, como o que sai do estômago da Shawn, etc...
O Jon escreveu uma história sólida, ligada às seguintes, que entretinha e levantava algumas questões. O Ridley leu o argumento e torceu o nariz. Faltava lá alguma coisa. Deu então o argumento ao Damon Lindelof (conhecido pelo trabalho em LOST) que leu e alterou o guião dando-lhe um ar mais "misterioso" e "filosófico", cheio de perguntas por responder e às quais ele não tinha resposta.
Nasceu assim o Prometheus.

O filme está muito bom graficamente e com excelentes interpretações (especialmente o andróide David), mas infelizmente o argumento não está ao nível.
A história tem imensos buracos na trama (plot holes), erros científicos de gritar aos céus, mudanças de personalidade das personagens bruscas e uma linha de raciocínio muito pouco verosímil. O filme foi tão mau que os fãs exigiram que o guião original (o filme chamar-se-ia Alien: Engineers) viesse ao de cima e ele veio e eu pude lê-lo.
Tenho de vos dizer que, se o filme do guião fosse rodado, eu teria saído muito mais feliz da sala de cinema. As diferenças são mais que muitas e eu apenas quero enumerar algumas, porque dizer tudo o que o guião original tem de melhor seria escrevê-lo aqui.
Comecemos (montes de spoilers):
1 - O Weyland não quer a vida eterna, quer a tecnologia de terraformação dos Engenheiros. Ele não vai na nave, envia o David e a Vickers. A Vickers fica chateada com a missão, porque ir na viagem implica que fique 5 anos afastada das lutas de bastidores pelo lugar de CEO quando o Weyland morrer.
2- O David é muito menos "humano" e muito mais maléfico. As suas acções (ao contrário de no Prometheus) tem uma razão de ser. Ele não quer ser escravo e compreende o desapontamento dos Engenheiros em relação aos humanos. Como ele diz:"Eu fui criado e também senti desapontamento do meu criador".Ele chega a prender a Shawn para que um facehugger a apanhe. Ao mesmo tempo, outra das forças motrizes das suas acções é a curiosidade científica sem os escrúpulos humanos. Isto vai muito ao encontro da evolução das personalidades dos androides ao longo de todos os filmes do Alien.
3- O Holloway, para além de namorado da Shawn é também o seu professor orientador. É mais velho que a Shawn e não se anda a embebedar só porque os Engenheiros não apareceram para o cumprimentar. Está mesmo contente por ter encontrado ruínas. Para além disso, toda a teoria que o leva até aquele planeta (que é o mesmo do Alien: o 8º passageiro) tem muito mais consistência do que algumas pinturas encontradas pelo mundo. Eles analisam a escrita, a genética, a história, a cultura, etc... Ele morre de uma maneira muito mais gira:
Enquanto está numa cena romântica com a Shawn.
4 - Os Engenheiros usaram aquela lua como posto avançado para lançar um ataque biológico à terra com xenomorphs. Ao longo do guião vemos apareceram várias "versões" menos optimizadas de xenomorph com que as personagens têm de se debater. Existem chestbursters gelatinosos, como o que sai do peito do Holloway, com esquelento, como o que sai do estômago da Shawn, etc...

5 - A "nheca" negra tem uma função bem definida: transformar-se em espécie de besouros que ao morderem, injectam material genético e proteínas alterando a estrutura do individuo que foi mordido. Vemos isso no início do filme e vemos isso no final quando um dos cientistas (o geólogo) aparece meio transformado em xenomorph no final.

6 - O MedPod não serve para fazer uma cesariana à Shawn, mas sim para impedir que ela morra quando o chestburster dela sai. A cena teria resultado muito bem no cinema, porque a Shawn vê o xenomorph que sai dela a crescer e a matar gente enquanto ela está meio drogada a ser cosida dentro do MedPod.

7 - Os cientistas portam-se como cientistas. Dissecam a cabeça do Engenheiro, não enfiam eléctrodos nos ouvidos. O biológo não tem medo de bichos numa cena e noutra tenta dar-lhe festinhas (ele está sempre excitado com vida noutros planetas, só que confiou demasiado na resistência do fato). O David e os arqueólogos estudam a língua dos Engenheiros e a tecnologia. Ficamos a saber que as pirâmides são tecnologia de terraformação à base de bactérias (o que faz lógica com os engenheiros serem bio-engenheiros).
8- A título de curiosidade, os Engenheiros vêm em mais espectros que a luz visível. Se olharmos para a pirâmide com o olhar de Engenheiro (ou do David) conseguimos ver informação luminosa a vaguear. Explicando porque é que o David consegue activar coisas que mais ninguém consegue activar.
9- Claro que se continua a explorar o facto de os engenheiros terem influenciado os humanos (modificando-os geneticamente) e dos humanos terem conhecidos ET's (até construíram pirâmides para imitar os edifícios de terraformação deles). Só que não é tão virado para os dramas pessoais católicos da Shawn.
Muito mais poderia dizer, mas o post já vai longo.
Como podem ver (alguns poderão discordar) o filme ficaria muito mais bem servido com o guião original. É frustrante ver como ultimamente todos os filmes para se levarem a sério querem meter mistério e filosofia a martelo. O problema de Prometheus (e LOST) é que promete muito e dá muito pouco, destruindo por completo a suspensão de credulidade de quem assiste à obra.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Na periferia da Terra
Imaginem a maravilha de poder ver esta paisagem acessível a qualquer mortal com capacidade económica para tal. É esta a proposta da World View, uma empresa que pretende levar os turistas espaciais dentro de uma cápsula pressurizada impulsionada por um balão de hélio durante uma subida de 30 quilómetros.

A subida duraria 30 min e os viajantes, chegada a altura máxima, poderão observar a paisagem durante 2 horas. Por fim, a cápsula voltará a descer e os turistas levados a casa. Os vôos experimentais irão começar este ano, mas para este produto chegar ao mercado, teremos ainda de esperar por 2016. Vou já começar a poupar os meus 5400€.
sábado, 19 de outubro de 2013
Jogos Narrativos na Ler Devagar
Jogos narrativos ou Role Playing Games são jogos feitos para ser desfrutados em grupo, em que cada jogador representa uma personagem com total liberdade de acções dentro das regras do Mundo criado.
Desde os mais desconhecidos, aos de tabuleiro e passando pelos mais populares (curiosamente não existe nenhum jogo de Dungeon&Dragons) será possível passar uma tarde em torno de um mistério de contornos fantásticos.
Irei ser um dos ST (story teller, aquele que controla as personagens não jogáveis). O meu jogo terá como ambiente uma quinta abandonada onde membros de um grupo de cultistas d´Aquele que é Obscuro (aka satânicos) se reúne e onde irão encontrar algo para o qual não estão preparados.
Para quem goste de outros cenários, há uma história de vampiros, um mistério dentro do Mythos do Lovecraft para resolver, uma aventura na Antártida onde tudo vai correr mal, etc..
Mais informações AQUI
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