sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Alien: Engineers vs Prometheus

No início, o Ridley Scott queria fazer um filme e pediu ao Jon Spaihts para lhe escrever um guião de uma história que fosse uma prequela a toda a saga Alien.

O Jon escreveu uma história sólida, ligada às seguintes, que entretinha e levantava algumas questões. O Ridley leu o argumento e torceu o nariz. Faltava lá alguma coisa. Deu então o argumento ao Damon Lindelof (conhecido pelo trabalho em LOST) que leu e alterou o guião dando-lhe um ar mais "misterioso" e "filosófico", cheio de perguntas por responder e às quais ele não tinha resposta.

Nasceu assim o Prometheus.


O filme está muito bom graficamente e com excelentes interpretações (especialmente o andróide David), mas infelizmente o argumento não está ao nível.

A história tem imensos buracos na trama (plot holes), erros científicos de gritar aos céus, mudanças de personalidade das personagens bruscas e uma linha de raciocínio muito pouco verosímil. O filme foi tão mau que os fãs exigiram que o guião original (o filme chamar-se-ia Alien: Engineers) viesse ao de cima e ele veio e eu pude lê-lo.

Tenho de vos dizer que, se o filme do guião fosse rodado, eu teria saído muito mais feliz da sala de cinema. As diferenças são mais que muitas e eu apenas quero enumerar algumas, porque dizer tudo o que o guião original tem de melhor seria escrevê-lo aqui.

Comecemos (montes de spoilers):

1 - O Weyland não quer a vida eterna, quer a tecnologia de terraformação dos Engenheiros. Ele não vai na nave, envia o David e a Vickers. A Vickers fica chateada com a missão, porque ir na viagem implica que fique 5 anos afastada das lutas de bastidores pelo lugar de CEO quando o Weyland morrer.

2- O David é muito menos "humano" e muito mais maléfico. As suas acções (ao contrário de no Prometheus) tem uma razão de ser. Ele não quer ser escravo e compreende o desapontamento dos Engenheiros em relação aos humanos. Como ele diz:"Eu fui criado e também senti desapontamento do meu criador".Ele chega a prender a Shawn para que um facehugger a apanhe. Ao mesmo tempo, outra das forças motrizes das suas acções é a curiosidade científica sem os escrúpulos humanos. Isto vai muito ao encontro da evolução das personalidades dos androides ao longo de todos os filmes do Alien.

3- O Holloway, para além de namorado da Shawn é também o seu professor orientador. É mais velho que a Shawn e não se anda a embebedar só porque os Engenheiros não apareceram para o cumprimentar. Está mesmo contente por ter encontrado ruínas. Para além disso, toda a teoria que o leva até aquele planeta (que é o mesmo do Alien: o 8º passageiro) tem muito mais consistência do que algumas pinturas encontradas pelo mundo. Eles analisam a escrita, a genética, a história, a cultura, etc... Ele morre de uma maneira muito mais gira:


Enquanto está numa cena romântica com a Shawn.

4 - Os Engenheiros usaram aquela lua como posto avançado para lançar um ataque biológico à terra com xenomorphs. Ao longo do guião vemos apareceram várias "versões" menos optimizadas de xenomorph com que as personagens têm de se debater. Existem chestbursters gelatinosos, como o que sai do peito do Holloway, com esquelento, como o que sai do estômago da Shawn, etc...


5 - A "nheca" negra tem uma função bem definida: transformar-se em espécie de besouros que ao morderem, injectam material genético e proteínas alterando a estrutura do individuo que foi mordido. Vemos isso no início do filme e vemos isso no final quando um dos cientistas (o geólogo) aparece meio transformado em xenomorph no final.


6 - O MedPod não serve para fazer uma cesariana à Shawn, mas sim para impedir que ela morra quando o chestburster dela sai. A cena teria resultado muito bem no cinema, porque a Shawn vê o xenomorph que sai dela a crescer e a matar gente enquanto ela está meio drogada a ser cosida dentro do MedPod.


7 - Os cientistas portam-se como cientistas. Dissecam a cabeça do Engenheiro, não enfiam eléctrodos nos ouvidos. O biológo não tem medo de bichos numa cena e noutra tenta dar-lhe festinhas (ele está sempre excitado com vida noutros planetas, só que confiou demasiado na resistência do fato). O David e os arqueólogos estudam a língua dos Engenheiros e a tecnologia. Ficamos a saber que as pirâmides são tecnologia de terraformação à base de bactérias (o que faz lógica com os engenheiros serem bio-engenheiros).

8- A título de curiosidade, os Engenheiros vêm em mais espectros que a luz visível. Se olharmos para a pirâmide com o olhar de Engenheiro (ou do David) conseguimos ver informação luminosa a vaguear. Explicando porque é que o David consegue activar coisas que mais ninguém consegue activar.

9- Claro que se continua a explorar o facto de os engenheiros terem influenciado os humanos (modificando-os geneticamente) e dos humanos terem conhecidos ET's (até construíram pirâmides para imitar os edifícios de terraformação deles). Só que não é tão virado para os dramas pessoais católicos da Shawn.

Muito mais poderia dizer, mas o post já vai longo.


Como podem ver (alguns poderão discordar) o filme ficaria muito mais bem servido com o guião original. É frustrante ver como ultimamente todos os filmes para se levarem a sério querem meter mistério e filosofia a martelo. O problema de Prometheus (e LOST) é que promete muito e dá muito pouco, destruindo por completo a suspensão de credulidade de quem assiste à obra.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Na periferia da Terra



Imaginem a maravilha de poder ver esta paisagem acessível a qualquer mortal com capacidade económica para tal. É esta a proposta da World View, uma empresa que pretende levar os turistas espaciais dentro de uma cápsula pressurizada impulsionada por um balão de hélio durante uma subida de 30 quilómetros.



A subida duraria 30 min e os viajantes, chegada a altura máxima, poderão observar a paisagem durante 2 horas. Por fim, a cápsula voltará a descer e os turistas levados a casa. Os vôos experimentais irão começar este ano, mas para este produto chegar ao mercado, teremos ainda de esperar por 2016. Vou já começar a poupar os meus 5400€.


sábado, 19 de outubro de 2013

Jogos Narrativos na Ler Devagar


No próximo dia 26 irão haver duas sessões ( das 15h às 19h e das 20h00 às 00h00) de jogos narrativos na livraria Ler Devagar da LX Factory. Todos são bem-vindos a juntar-se a uma mesa de jogo ou a criar a sua.

Jogos narrativos ou Role Playing Games são jogos feitos para ser desfrutados em grupo, em que cada jogador representa uma personagem com total liberdade de acções dentro das regras do Mundo criado.

Desde os mais desconhecidos, aos de tabuleiro e passando pelos mais populares (curiosamente não existe nenhum jogo de Dungeon&Dragons) será possível passar uma tarde em torno de um mistério de contornos fantásticos.


Irei ser um dos ST (story teller, aquele que controla as personagens não jogáveis). O meu jogo terá como ambiente uma quinta abandonada onde membros de um grupo de cultistas d´Aquele que é Obscuro (aka satânicos) se reúne e onde irão encontrar algo para o qual não estão preparados.

Para quem goste de outros cenários, há uma história de vampiros, um mistério dentro do Mythos do Lovecraft para resolver, uma aventura na Antártida onde tudo vai correr mal, etc..

Mais informações AQUI

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O escritor que não podia ler


Um escritor, primeiro de tudo, tem de ser um leitor. Agora imagem o terror que é para um escritor descobrir que não consegue ler! Como seria a vossa reacção? Eu acho que entrava em pânico durante alguns anos.


domingo, 13 de outubro de 2013

Fyodor Books


Um livro 3€ (qualquer que ele seja), dois livros 5€ (quaisquer que eles sejam). É este o preçário da mais recente livraria do Chiado e arredores, a Fyodor Books.




Este pequeno espaço, baptizado com o nome do escritor que tanta agrada ao casal empreendedor, localiza-se na Calçada Nova de São Francisco, a meio caminho entre a FNAC e a Bertrand do Chiado, num pequeno espaço que deixa de fora os vendedores.

Lá é possível encontrar maioritariamente livros em segunda-mão de grandes nomes da literatura, com a promessa que na semana seguinte o stock está renovado. Nas prateleiras, pequenos papéis designam o seu conteúdo: história, filosofia, romance, dutch books, a escolha da Fyodor, etc... Alguns livros, que os donos consideram menos interessantes (já que eles escolhem criteriosamente o que querem vender) estão à venda por 50 cêntimos.

O grande sonho deste casal (Sara e Paulo Rodrigues) é expandir o negócio, abrir mais livrarias e até criar uma editora com o mesmo nome.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Soma

A Frictional Games, a empresa sueca criadora do Amnésia e Penumbra (dois jogos que redefiniram as tendências de mercado dos jogos de horror), está a trabalhar num novo projecto de nome Soma.


Será um jogo de terror ambientado num universo de ficção científica ao estilo dos títulos anteriores. É explorado do ponto de vista da 1ª pessoa, muito indefesa, com o objectivo de sobreviver e explorar.

A companhia tem lançado alguns teasers muito interessantes, que dariam um filme quase só por si. O que gostei mais, apresento aqui:


Conjugando com o um exemplo de jogabilidade que apresento abaixo, podemos especular que o jogo andará em torno da transferência da consciência humana para uma máquina. Quem desenvolve Soma promete que a trama vai ser revelada através das acções no jogo, não através de diálogo ou pedaços de informação escrita que se encontre aqui e ali (como no Amnésia). Nas suas palavras, o jogo não será um festival de sustos baratos e que as criaturas que se irão encontrar terão de ser compreendidas para avançar no jogo. Compreensão essa que, prometem, levantará muitas perguntas acerca da própria experiência.

Como diz o sub-título do jogo: Penso, logo sou.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

BD amadora 2013

Desde que eu me lembro de ser eu que vou ao festival de BD da Amadora, começou na Fábrica da Cultura (uma fábrica de electrodomésticos abandonada na Amadora), passou por uma escola, pela estação de Metro da Amadora Este e nos últimos anos fixou-se no Fórum Camões.


Continua a avisar os concursos tarde de mais para alguém distraído poder concorrer, continua sem cruzamento de dados, que faz com que eu receba 5 convites em simultâneo para ir à inauguração, mas continua a ter aquele lugarzinho no coração por ser um ritual que se repete todos os anos.

Normalmente, costumo gostar mais das exposições secundárias e da animação junto às livrarias do que da exposição principal, que parece, por vezes, feita por pessoas cristalizadas no tempo. Gostaria que a BD Amadora reportasse mais à BD que se faz actualmente (mais comercial ou mais independente) com uma zona de "memória" e não o contrário.

Este ano, as imagens que acompanham o festival são da autoria de Ricardo Cabral e o tom onírico e complexo do que já vi até agora faz-me ficar curioso de como será nas paredes da exposição.

Aproveitem e visionem o site oficial, lá, arrastem a imagem com o rato para revelar novas zonas e pormenores. Quem conhecer a Amadora certamente reconhecerá alguns marcos.