sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Soma

A Frictional Games, a empresa sueca criadora do Amnésia e Penumbra (dois jogos que redefiniram as tendências de mercado dos jogos de horror), está a trabalhar num novo projecto de nome Soma.


Será um jogo de terror ambientado num universo de ficção científica ao estilo dos títulos anteriores. É explorado do ponto de vista da 1ª pessoa, muito indefesa, com o objectivo de sobreviver e explorar.

A companhia tem lançado alguns teasers muito interessantes, que dariam um filme quase só por si. O que gostei mais, apresento aqui:


Conjugando com o um exemplo de jogabilidade que apresento abaixo, podemos especular que o jogo andará em torno da transferência da consciência humana para uma máquina. Quem desenvolve Soma promete que a trama vai ser revelada através das acções no jogo, não através de diálogo ou pedaços de informação escrita que se encontre aqui e ali (como no Amnésia). Nas suas palavras, o jogo não será um festival de sustos baratos e que as criaturas que se irão encontrar terão de ser compreendidas para avançar no jogo. Compreensão essa que, prometem, levantará muitas perguntas acerca da própria experiência.

Como diz o sub-título do jogo: Penso, logo sou.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

BD amadora 2013

Desde que eu me lembro de ser eu que vou ao festival de BD da Amadora, começou na Fábrica da Cultura (uma fábrica de electrodomésticos abandonada na Amadora), passou por uma escola, pela estação de Metro da Amadora Este e nos últimos anos fixou-se no Fórum Camões.


Continua a avisar os concursos tarde de mais para alguém distraído poder concorrer, continua sem cruzamento de dados, que faz com que eu receba 5 convites em simultâneo para ir à inauguração, mas continua a ter aquele lugarzinho no coração por ser um ritual que se repete todos os anos.

Normalmente, costumo gostar mais das exposições secundárias e da animação junto às livrarias do que da exposição principal, que parece, por vezes, feita por pessoas cristalizadas no tempo. Gostaria que a BD Amadora reportasse mais à BD que se faz actualmente (mais comercial ou mais independente) com uma zona de "memória" e não o contrário.

Este ano, as imagens que acompanham o festival são da autoria de Ricardo Cabral e o tom onírico e complexo do que já vi até agora faz-me ficar curioso de como será nas paredes da exposição.

Aproveitem e visionem o site oficial, lá, arrastem a imagem com o rato para revelar novas zonas e pormenores. Quem conhecer a Amadora certamente reconhecerá alguns marcos.

sábado, 5 de outubro de 2013

Entrevista


Hoje um amigo meu chegou com uma ligação e uma promessa "hás de ler esta entrevista muito interessante ao (autor X), que te deve interessar". Realmente, interessou-me e, embora discordado com algumas coisas (até porque acho que o autor está a ser generalista com as pessoas que quer criticar), gostaria de transcrever a parte mais interessante e sujeita a debate.

"(...) A literatura é um contar de histórias, como a epopeia de Gilgamesh, na Suméria, o Beowulf, no Norte da Europa, a Bíblia no Médio Oriente. São histórias míticas e reais contadas.

Que sobrevivem por serem bem contadas?
São bem contadas, captam a imaginação. No século xx, por razões que são explicadas neste livro e no próximo, a arte sofre uma mudança importante. Começam a aparecer trabalhos que não procuram a beleza, a narrativa, mas a desconstrução. O cubismo é desconstrução. Ah, uma pintura de Picasso é bonita. Não, não é bonita. Nem Picasso queria que fosse. Ele está a cultivar o feio. Stravinsky faz música que são guinchos. O truque está justamente aí. Isto contagia a literatura. Ler o "Ulisses" do Joyce é um exercício de masoquismo. Ele leva duas páginas a descrever um armário. Isto fazia parte desta corrente, legítima, de desconstruir a narrativa. Em Portugal escrevem-se histórias que são só exercícios de linguagem.

Há excesso de desprezo pelos métodos clássicos?
A Isabel Allende disse-me, bom, esta brincadeira do nouveau roman ia matando a literatura. Tornou-se totalitário. Qualquer autor que se atrevesse a contar histórias era logo objecto de bullying.

Sentiu isso?
Nem é um problema meu. Criou-se esta ideia de que só é literatura o que é exercício de linguagem, mas é falsa.

Mas também pode ser literatura.
Também é literatura, agora não se confina a uma corrente. Tal como a pintura não é só cubismo. Umas são tão válidas como as outras. O problema é que as correntes não admitem a diferença. Não há tolerância em relação a quem não faça exercício de linguagem.

E não é possível combinar ambos?
A literatura também pode ser exercício de linguagem, mas a literatura não se resume a isso. O Saramago dizia-me que o mais importante era a escrita e não a história. OK, é uma corrente. O Umberto Eco disse-me o oposto. A linguagem é um instrumento para contar a história. Os autores que acham que só é literatura o que é exercício de linguagem são autores que estão a fascizar a literatura. É esta a diferença. É óbvio para toda a gente que literatura é também contar histórias."

Entrevista completa AQUI

Curiosamente, esta entrevista articula-se com um artigo que tinha aqui guardado para mostrar no blogue que se dá pelo nome de "4 coisas que a ficção científica tem de ter de volta".

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Space Engine


Devido a uma história que estou a escrever (ainda no laboratório literário), tenho andado a investigar acerca da hipotética presença humana no espaço. No entanto, à medida que se aprofunda o conhecimento e que se aprende que muita das coisas que pensávamos não são verdade (e.g. não se consegue ver a superfície de Vénus do espaço, porque a atmosfera é demasiado densa) torna-se difícil imaginar certas coisas.

Por exemplo, como é que é Júpiter visto a partir das suas luas? Como se vê o Sol em Mercúrio? Como é a sensação de nos aproximar-mos de um planeta?

Por acaso, num dos grupos que sigo no facebook, apresentaram o Space Engine. É um programa que permite explorar o universo visualmente (e com alguma informação) usando um interface 3D baseado na mecânica dos jogos de PC. Por exemplo, para mover basta usar as teclas WSAD. O programa contém dados reais, disponibilizados pela NASA, que permite que os planetas tenham órbita, uma superfície geral (é possível "aterrar" nos planetas) uma cor do céu, que as estrelas e nebulosas estejam no sítio certo com as proporções certas.



É um prazer viajar neste universo 3D e aprende-se imensa coisa. O download é livre e o programa muito fácil de instalar. É possível ainda fazer download de programas acessórios que introduzem ainda mais dados no universo, dando, por exemplo, melhores texturas aos planetas ou nuvens na Terra. O programa tem ainda informação acerca de planetas extra-solares e, quando não há informação disponível, é calculado um conjunto de propriedades esperadas.

Aqui ficam algumas imagens, tal e qual se podem ver no programa (notem que também é possível ver cometas a atravessar o sistema solar. Basta saber a data em que eles passaram.)


Download aqui

Neste momento estão a ser desenvolvidos os planetas com a superfície coberta de água e como é que se prevê que o gelo se comporte e também planetas sem rotação, com uma face sempre de dia e outra sempre de noite (prevê-se que seja possível em planetas a orbitar anãs vermelhas)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Porto Book Stock


De 3 a 27 de Outubro, o Palácio de cristal enche-se de 500 mil livros, 26 mil títulos, de 150 editoras diferentes, com descontos que podem ir até aos 80%. Trata-se da terceira edição do Porto Book Stock, cujo o horário de abertura se estende das 10h às 20h.

Na Hora do Conto podemos contar com a presença de escritores como Anabela Mimoso, Clara Carrapatoso, Ana Oliveira e Isabel Magalhães.

Este evento é promovido pelo Calendário das Letras.

É tentador, mas desconfio que 90% da feira será muito parecida àquelas livrarias descartáveis que montam em algumas estações do metro de Lisboa. Alguém que já tenha isto a este evento sabe?





domingo, 29 de setembro de 2013

Inspirador


"E é precisamente sobre bullshit e editoras que procuram envernizar-se de prestígio que termino. Haverá coisa mais fácil do que gerir uma editora que publica autores nobilados? Basta ir à internet e consultar a lista com os vencedores do prémio. Muitos nunca foram traduzidos para português, ou se o foram, terão bastantes obras por traduzir. E já agora fazer ofertas pelos vencedores do Booker, Goncourt e Femina. E pelos finalistas também, afinal, pode-se sempre pôr na capa que foi finalista dum prémio de que ninguém pode dizer mal. E pronto, temos uma editora de prestígio. Que nem precisa de ler os livros que publica, afinal, alguém já os leu e disse que eram bons. Nem precisa de descobrir os autores, também, já alguém o fez. E o marketing está garantido pelos media. Como é tão mais difícil apostar em excelentes autores que são discriminados porque estão associados a géneros alternativos. E publicar livros maravilhosos que são alvo de preconceito porque vão para lá da realidade e se embrenham no fantástico de que a crítica actualmente parece ter tanto nojo, aversão, medo.""


Tomei hoje conhecimento de umas palavras inspiradoras, que embora de 5 anos atrás, reflectem-se bastante nos dias de hoje (o nome Sasha Grey assalta-me, ou Granta). Mas pode um negócio crescer se não agradar a um público grande? De onde vem o capital para publicar os tais autores "malditos"?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Quem espera sempre alcança?

Numa das minhas visitas à FNAC do Chiado havia um livro que me prendia o olhar constantemente. Tentava ignorá-lo, pois sabia que nunca o haveria de ter devido ao seu preço de quase 40€.

Nem mais nem menos que uma espécie de biografia de um dos autores que mais admiro, apesar de toda a excentricidade ( talvez isso também ajude): Alan Moore.

Este livro é o único (que eu conheço) sobre o autor que mereceu a colaboração deste, que contribuiu com imagens e informação dos seus arquivos pessoais.


Um a um, visita a visita, fui lendo os vários capítulos do livro, conhecendo o homem por detrás da arte. Quando dei por mim, tinha lido o livro na sua totalidade. Não posso deixar de dizer que houve uma farripa de culpa em mim, por abusar do sistema da FNAC de dar a oportunidade aos clientes de experimentar os livros antes de os comprar. Mas hei! Não tenho dinheiro para comprar a quantidade de livros que leio!



O livro foi ficando cada vez mais degradado (tsc, tsc, restantes leitores, que eu sei que sempre o deixei como encontrei) e para surpresa minha encontrei exactamente o livro que li por 5€ em vez do preço inicial, devido ao estado de conservação.

E foi aí que eu não resisti e deixei-me vencer pelo coleccionismo. Tirada a capa de fora (rasgada e dobrada) fiquei com um exemplar em óptimo estado em capa dura de um livro que me apaixonou que pensei que nunca iria ter. E esta, hein?