quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Há mais uma razão para todos os amantes de ficção especulativa peregrinarem ao Porto no mês de Setembro. Depois da 2ª EuroSteamCon, que começa a aquecer os motores, surge agora a "Iª Mostra Bibliográfica de Ficção Científica e Fantasia de Autores Portugueses".


 


Este evento, organizado por Álvaro Holstein e Marcelina Leandro, com cartaz de Cláudia Silva, irá ser uma exposição de cerca de uma centena de livros do género, desde a sua génese em Portugal até aos dias de hoje. A acompanhar a exposição, haverá um folheto informativo e, nesta primeira edição, não haverá eventos paralelos.


Especulo que parte das obras serão do espólio pessoal de Holstein, que gere umblogue com as memórias da ficção científica. Para além de obras obrigatórias como A.D. 2230, sobre a qual o organizador escreveu, a colecção azul da Caminho, a bibliografia de Barreiros (dos poucos autores da "velha guarda" que ainda publica frequentemente) também espero obras mais recentes, como Lisboa no Ano 2000 onde participei.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Já saiu a capa da 1ª revista BANG! no Brasil, confirmando a aposta da editora Saída de Emergência neste mercado.




Numa rápida observação não só se pode deduzir que as revistas irão ser diferentes dos dois lados do Atlântico, uma vez que da versão portuguesa não se sabe nada, como também podemos ver que o site exclusivo para a BANG! irá avançar, embora não esteja ainda on-line.




Falta saber o método de distribuição (será através da FNAC?) e se haverá permeabilização de conteúdos de uma revista para a outra.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Um novo conceito de livrarias sobre rodas surgiu em Lisboa.


A sua missão? Viajar pelos locais mais visitados pelos turistas e oferecer-lhes uma oferta de livros de autores portugueses traduzidos para as mais diversas línguas.

A Tell a Story, assim é o nome da livraria, não só disponibilizará livros mas também merchandising inspirado nos vários autores dos quais tanto nos orgulhamos.



Se eu fosse um turista este seria um dos pontos obrigatórios a passar na cidade que fosse visitar. Que melhor recordação do que trazer um bocado do país nas páginas de um livro. Imaginem tirar uma foto com o Fernando Pessoa na Brasileira, ou um pouco mais acima com Camões ou ainda mais abaixo com Eça e depois levar os seus livros para casa?

Visitem o site AQUI. Esta marca foi criada pela empresa de publicidade MSTF cujo o sitetambém merece uma visita, para verem o excelente trabalho que desenvolvem.
Nos últimos dias, por causa da Lusitânia, tenho tido muitas conversas acerca do que fazer aos textos que se recebe.

Para simplificar, vou resumir os dois extremos em consideração.

Por um lado há uma forte tendência para "corrigir" aquilo que achamos que não está bem num conto, aproximando-o da idealidade do editor. Se por um lado isso permite aprimorar uma obra, tornando-a melhor para o leitor, por outro corre-se o risco de ao cortar as gorduras matar o porco. Ou seja, se fôr levado longe de mais pode abafar a voz do autor, não dando a possibilidade do público apreciar os seus defeitos e qualidades.

Por outro lado, uma protecção excessiva do texto (a minha abordagem pessoal) pode fazer com que o texto não seja polido até ao seu máximo potencial, perdendo-se a oportunidade de presentear o leitor com a "versão-melhorada-segundo-o-ponto-de-vista-do-editor" do texto recebido.
 

Estas questões ganham ainda mais relevo no sentido em que sou um editor amador, movido pela paixão de criar um espaço de literatura que sirva de montra, laboratório e entretenimento tanto para escritores como para leitores.

O que acham vocês?

Adenda: Imaginemos que o livro é bom, mas não irá ser popular. Uma editora é um negócio, mas também tem como objectivo produzir arte. É um um equilíbrio delicado e com bastante em jogo. Gostaria de poder ouvir histórias de pessoas mais experientes nestas andanças.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013


Bem vindos a Nightvale, uma cidade no meio do deserto onde nuvens coloridas chovem pequenos animais, anjos ajudam as senhoras a mudar as lâmpadas, os dragões de várias cabeças são perseguidos por fraudes a seguradoras e as mães devem estar atentas para ver se os filhos não foram escolhidos para entrar para os escuteiros.

Tudo isto narrado pela voz calma e profunda de um locutor de rádio apaixonado por Carlos, um cientista com um cabelo perfeito e maxilar quadrado.

Os episódios são gratuitos e recheados de humor aleatório e estranho.

Escrito por Joseph Fink e Jeffrey Cranor. Narrado por Cecil Baldwin. Música original por Disparition. Logotipo por Rob Wilson

Site oficial
O poster do Fórum Fantástico 2013 já foi revelado.





O design é de Pedro Marques com o mesmo traço a que já nos habituou em edições anteriores. Talvez no futuro usem a colecção de óptimas imagens para artigos de merchadinsing.

O Fórum Fantástico será de 15 a 17 de Novembro na Biblioteca Orlando Ribeiro. A organização estará a cargo da Épica, habituada a mimar os fãs de fantasia e afins com um conjunto de lançamentos e palestras de tirar o chapéu.

Já agora, recordar os posters anteriores.

2005


2006



2007




2008



2010




2011




2012


domingo, 1 de setembro de 2013

Quando pensamos num astronauta vem sempre a ideia do homem vestido de branco num fato inchado aos saltinhos na lua ou à deriva preso a uma espécie de cordão umbilical (pelo menos a mim).


O design de um fato espacial para astronautas tem bastantes particularidades interessantes. Se quiserem um pouco de conhecimento sobre o tema, leiam esteartigo.

Temperatura: Um astronauta tem de ser capaz de resistir a diferenças de temperatura bastante elevadas. Nós aqui na Terra, graças à atmosfera temos o conforto de passar da sombra para um local iluminado com a diferença de apenas alguns graus, no espaço, pode-se passar de centenas de graus negativos para centenas de positivos. Por isso, uma das primeiras camadas de um fato especial é um fato térmico, preenchido com um líquido termoestático que mantém a temperatura constante. A temperatura é também a razão pela qual quase todo o equipamento espacial é branco: para reflectir a luz e evitar o calor sentido provocado pela radiação solar.

Portanto, se os astronautas forem para Marte, em que essas diferenças abismais de temperatura não são tão grandes, os fatos poderão ter outras cores. Talvez o critério de escolha seja o contraste com o planeta vermelho.
Um dos primeiros modelos de fato, os Mercury, eram cobertos de aluminio, para reflectir a radiação, só que não era de todo eficaz. A conservadora actual defende que esta cobertura tinha um efeito mais mediático do que prático, para os astronautas parecerem mais futuristas.




Fluidos corporais e conforto: Imagina que te queres coçar e entre ti e o foco de comichão estão varias camadas de material grosso. Agora imagina que para além da comichão estás a suar da testa e as gotas escorrem para os olhos. Ao mesmo tempo tens uma grande fralda super-absorvente para recolher as necessidades fisiológicas evacuativas e que já está molhada. Para juntar a isto tudo, o teu sistema de hidratação (uma mochila cheia de água com uma palhinha como os ciclistas) mais uma vez está a deixar escapar umas gotinhas que ficam a flutuar mesmo debaixo do nariz. É este o desconforto que um astronauta tem de aguentar nas longas missões em que não pode tirar o fato espacial.



Ar: O ar que se respira, tem de ter a proporção correcta de oxigénio e azoto (mas ao mesmo tempo tem de se diminuir ao máximo o peso que se leva numa nave, pelo que tem-se sempre a tendencia de meter um pouco mais de oxigénio), que tem de ser recirculado ao contrário dos nadadores que libertam para dentro de água. E com a recirculação vem o problema da humidade. Há que desumidificar o ar, para que não pareça  que está a chover dentro do fato.
Pressão atmosférica: Os fatos têm de ter uma pressão atmosférica o mais parecida possível com a Terra, por motivos de conforto. No entanto, se fossem insuflados com uma pressão de 1 atm iriam parecer uns balões e os astronautas não se conseguiriam mexer. Retirar azoto da mistura de ar diminui a pressão, mas aumenta a quantidade de oxigénio (perigo de ocorrer um incêndio dentro do fato) e aumenta os casos de má descompressão, como acontecia nos escafrandos antigamente.

Duro ou mole? 
Os fatos usados hoje em dia são feitos de tecido, mas nem sempre foi essa a tendência. Os fatos duros são mais baratos, mais infalíveis e simples, para além de terem menos problemas com a pressão atmosférica lá dentro. Então porque se usam fatos de tecido. Uma das razões é o factor psicológico. Astronautas vestidos com fatos rígidos parecem robots e com fatos moles, mais humanos. Outra razão apontada foi que na gravidade terrestre, os fatos rígidos seriam mais pesados e desconfortáveis, pelo que os moles se saíam sempre melhor nos testes preliminares. Para além disso, no início da era espacial, os fatos rígidos seriam mais pesados que os fatos Mercury (os metalizados lá em cima) e isso salvaria combustível na descolagem. Outro facto tem ainda haver com as articulações que seriam menos intuitivas. Por exemplo, num fato mole, para tocar nas costas é só fazer o movimento normal, num fato rígido teria primeiro de se mover o braço para baixo e só depois para trás.



A nova vaga de fatos espaciais aposta bastante na flexibilidade e leveza, já tendo em vista a exploração de Marte. Os novos designs abandonam a ideia de encher o fato de ar para alcançar a pressão desejada e, em vez disso, fazem o fato aplicar a pressão directamente no corpo, como as meias de descanso. Quem diria que o futuro da exploração espacial iria aplicar um conceito tão querido das velhotas com varizes?

Estes fatos serão também mais fáceis de vestir e resistentes à abrasão e fáceis de reparar em caso de choque com micrometeoros.




Outros inventores apostam num regresso às origens, numa versão melhorada dos fatos moles insuflados. Após ganhar um prémio da NASA para um melhorado design das luvas de astronauta, um engenheiro de fatos espaciais e um costureiro de disfarces decidiram criar uma empresa que se compromete a idealizar a nova geração de fatos, inspirada em algumas das soluções que encontraram quando fizeram as luvas premiadas.


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